Sexta-feira, Outubro 03, 2008
..:: Buracos.
Eu ando meio preocupado. Era pra eu 'tar pensando nas provas que tão vindo e tal, feito um bom estudante, mas não é disso que tô falando. Eu ando preocupado é com o que eu tenho aprendido pra fazer essas tais provas que andam me passando. Durante minha vida de estudante eu sempre ouvi falar de átomos, elétrons, coisa e tal. Mas há algo de errado quando você começa a ouvir falar que a falta de um elétron – ou seja, um buraco! - tem massa, carga e se move, e ainda acha isso normal. Aí tu começa a ver que tem alguma coisa estranha no ar. E que esse ar também podia ser o vácuo, dum jeito assim, bem natural. O negócio é tão preocupante que o leitor já deve 'tar assustado. Acontece que o assustador mermo ainda tá por vir, imagine só.
Imagine você estudar engenharia e descobrir que a máquina mais importante na tua profissão é uma que não existe. Na profissão não tem chave de fenda, régua e coisa nenhuma. Te enganaram quando explicaram o que era engenharia, mané. Agora imagina ter sido enganado assim, e ainda gostar. Preocupante. É um tal de pensar no abstrato, abrir a cabeça, que dá medo. E o pior é que não dá medo pelos motivos que o povo diz. Dizem que isso é coisa de maluco, coisa e tal, e mal sabem que não é com isso que eu tô preocupado. O maior susto dessa coisa toda é tu, depois de muito tempo, perceber que aprender esses negócios pode ter um sério efeito colateral.
Com o passar dos períodos eu fui descobrindo que abrir a cabeça é bom e pá, mas só um pouco, que é pra não acabar abrindo outras coisas. É uma certa agonia descobrir que o herói da computação e vários grandes matemáticos gostavam era de meninos. Deviam ter me contado antes. Com isso eu não queria ser engando. Não pode ser tanta coincidência, assim, não pode. Por isso eu comecei a pensar que os professores deveriam avisar assim, antes de ensinar alguma coisa: “Olha, isso aqui, por algum motivo, pode fazer você repensar suas opções sexuais. Agora vamos à demonstração.” Seria mais justo. Fecha o olho! Fecha o olho! e tava tudo certo. Eu tenho o direito, ora.
O povo vive dizendo que não, que não tem nada de errado em ser gay, e disso eu não discordo e tal. Na verdade, com o buraco dos outros eu sô um grandessíssimo liberal. Acontece que com o meu eu sô careta, ué. Qual é o problema? Ser liberal com o buraco dos outros é fácil, não dói e é um grande ato de tolerância, que tu devia experimentar. Disso eu não poderia discordar. Sô um grande fã dos ideais liberais e acho muito bom aprender com os grandes do Iluminismo. Não custa nada tentar. Eu só não vejo nada de errado em não querer iluminar o meu buraco. Prefiro que ele fique lá, na paz da escuridão, com seu grande amigo saco. De todos os mistérios e coisas que eu ainda tenho que entender e inventar, só não me incomodo que o meu buraco seja o único mistério que fique por desvendar. O mundo já tá cheio de outros buracos, negros e brancos, pra quem quiser morrer feliz da vida tentando explicar.
@ 8:02 PM |
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