Domingo, Março 04, 2012
..:: Método
Eu desde cedo sempre fui muito questionador. Sempre fiz mil perguntas a mim mermo – e algumas, em muito menor quantidade, aos outros – e sempre tentei respondê-las. Acabei mais tarde achando na Ciência e na Engenharia o lugar em que eu mais me adequava. Hoje, estou prestes a trabalhar com controle, automação e otimização de processos, o que vai me levar a usar ainda mais meu lado analítico – dessa vez, não só por curiosidade, mas por profissão.
Há quase exatamente um ano, consegui o que era preciso pra entrar nesse meu trabalho, e foi também usando o lado analítico. Racionalização do tempo, estudo de leis fundamentais, e consegui. Tudo do pouco que consegui profissionalmente, foi assim também. É isso que eu faço. E acredito que a análise racional é a melhor ferramenta que a gente tem pra tentar solucionar alguns dos problemas que a gente encontra. Não tenho dúvida.
Acontece que o pensamento analítico já me deu muitos bons resultados sim, mas, por outro lado, nunca me deu um sorriso calculado. Nunca encontrei alguém interessante num dia premeditado. E, se tivesse planejado, não seria no carnaval - no entanto já o foi, e do jeito mais inesperado. As vezes que dormi mal por estar com o inconsciente cheio de problemas de algoritmos nunca se compararam àquelas em que pouco dormi por problemas de quem está apaixonado. Eu vejo beleza na física, mas não mais do que nos quadros. Eu acho a lógica bonita, mas com ela nunca lacrimejei como num filme inspirado. Nunca me arrepiei fazendo conta, e já me arrepiei tantas vezes ouvindo ou tocando música, que perdi as contas.
O método me serviu de muitas formas, mas inclusive me serviu pra ver que ele às vezes não serve pra nada. É só fazer as contas do último parágrafo. Então ainda bem que meu cérebro tem dois lados, e ainda bem que consigo perceber e senti-los mermo sem ter de contá-los.
Rodolpho Gringo
@ 11:45 PM |
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Quarta-feira, Novembro 30, 2011
..:: muda
ultimamente as tais das clouds por aí tão fazendo a nova onda da internet. é iCloud daqui, cloud da amazon lá, e essa é uma idéia que eu acho interessante, vendo como um cara de computação. é uma das coisas que eu paro e penso às vezes no porquê de não ter pensado antes. com o aumento da velocidade de download, pra que ter algo instalado em um único hd, fixo em casa? é só ter um meio de baixar o conteúdo, que ele tá ali em qualquer lugar que seja, rapidamente na tua mão. ter que guardar menos coisas e não ter de se preocupar em carregá-las contigo pra poder usá-las é uma coisa que simplifica muito as coisas. não pensei nisso antes - nem vô falar disso agora.
não pensei nisso antes, não, mas só com relação à computação. parei pra pensar e vi que essa idéia num era assim tão nova, nem tão original. eu já me mudei muitas vezes nos últimos anos, e em uma delas eu reparei que tinha mais livros pra carregar do que roupas - e muito dos livros eram muito novos, sem usar, enquanto muitas das roupas eram muito velhas, usadas demais. um pouco antes dali, mas principalmente dali em diante, fui tentando me livrar do máximo de coisas que eu pudesse. pros livros eu arrumei um leitor digital, e pras músicas e filmes virei pirata de vez - nada de cedes. sô muito novo pra ficar carregando mil coisas, e então qualquer mudança passaria ser muito mais fácil. não virei nenhum pirata, que mora aí em qualquer lugar, mas ganhei certa mobilidade. e foi também por razões de mobilidade que sempre resolvi morar em apartamento mobiliado - e mobiliado pouco! até nisso faz muito tempo que prefiro muito menos: um lugar mais limpo, com menos coisas entulhadas e com menos móveis, pra mais mobilidade. qualquer coisa, se fosse mudar, era só levar as roupas, que os móveis já tavam lá em outro lugar. foi o jeito que eu dei, já que eu não posso guardar cuecas num servidor na internet - e não, eu não tentei.
acho que todo o mundo deveria se mudar de vez em quando - primeiro de casa, nem que fosse pra voltar na semana seguinte; depois de hábitos, só pra ver como é bom se livrar de algumas coisas e lembranças velhas e de pouca importância. acho que faz bem pra mim, e deve fazer bem pra quem ganha minhas coisas e roupas, e pra sustentabilidade - dos recursos e, no meu caso, da pirataria… só sei que talvez seja só coisa de fase, de idade, não sei. talvez mais pra lá do meio do caminho, uma casa com decoração antiga, cheia de coisas tipo a da minha avó, pode até ser que seja boa. deve ser pra guardar lembranças, reviver coisas e coisa e tal. mas por enquanto eu ainda tenho mais lembranças pra criar do que aquelas que eu já tenho pra lembrar. e é muito bom ter, sei lá, só uma mochila e umas poucas bugigangas pra poder pegar, sair e me mudar daqui pra lá. daí me mudo com a cabeça meio voando, mas vô andando, com chinelo no chão, contando um pouco com a sorte, pensando na vida e botando a vida na nuvem, que não é iCloud nem é a onda forte, mas tem sido o sucesso do meu verão.
Rodolpho Gringo
@ 10:17 PM |
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Sexta-feira, Agosto 19, 2011
..:: Saindo de casa(l)
Ficam todos em um site, com fotos bonitas, querendo parecer perfeitos. Daí tu olha daqui, olha de lá, acha alguma coisa interessante, e quem sabe pensa em alguma coisa e tal, quem sabe ligar ou uma mensagem mandar. Dependendo, tem resposta. Quem sabe até rola de ir ver, encontrar. Porque de longe não rola, porque de perto o outro é muitas vezes pior do que parecia lá. Então vamo' de perto, mas não rola de concluir nada antes d'aquele joguinho rolar. Os dois fingem que nenhum tá querendo tanto, e cada um tenta se economizar e seu passe valorizar. E se tu acha que eu tava falando de facebook e pessoas, é porque tu nunca procurou um apartamento no Rio pra alugar.
Se tu é homem e acha que mulher é difícil, é porque tu ainda não tentou pegar um apartamento. Eles 'tão tão exigentes, com uma fila tão grande de gentes, que um apartamento de Botafogo tá se achando mais que a carioca mais gostosa da praia de Ipanema. Mas o pior é que, além disso, apartamento só quer saber de dinheiro: quais são teus imóveis, onde é que tu trabalha, quem é teu fiador? E, mermo que tu trabalhe bem, preferem que tu seja velho também. Tão querendo dar o golpe do baú, só pode. Contrato de trinta meses, só tendo nos encontrado uma vez? Quer casar sem nem tomar um chopp? Eu sei que tu não tá podendo sair, então não rola um cineminha, em casa… não? Num deu. Quero saber como é assistir filme contigo, pô, pra ver se vô me sentir confortável e tal… Tô pedindo demais? Beleza não é tudo não, cacete! Cadê teu interior? Como eu vô saber se tu era só fachada ou se tinha algo quase explodindo dentro de ti, que ainda vai me dar dor de cabeça no final? Tá foda; assim num dá. Como diria o filósofo: "Quer me fuder, me beija". Ou pelo menos me dá um desconto, ou me deixa dormir uns dias no sofá.
Eu já falei aqui uma vez da velha cardidança da cadeira em que nunca há lugar pra nossa bunda, né? Ela não chega a ser um problema. Eu também gosto de dançar, e tá tudo tranquilo. Muito mais difícil tá brincar de gente com esses apartamentos mercenários. Difícil tá encontrar uma casa. Se eu encontrar uma logo, passo a acreditar em qualquer coisa. Talvez até que a mulher da minha vida, que eu nem sei quem é, andou procurando pessoas, olhou meu facebook e anda pensando em me comprar com seus milhares em notas de charme - mas não sem antes fazer um joguinho. Passo a acreditar sim, ué. Tá achando ridículo? Eu disse que acreditava em qualquer coisa, se achar o apartamento. Porque aí, mermo sendo mentira, teria um sofá de verdade, macio e que fosse meu, pra eu sentar minha bunda não metafórica. Se eu gostar dele, 30 meses são pouco, e aí eu deito enquanto danço, escrevendo essas coisas bizarras, esperando a outra descadeirada.
Rodolpho Gringo
@ 12:34 AM |
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Domingo, Julho 24, 2011
..:: exagero
eu posso dizer que namorei muito na minha vida e tive relacionamentos sérios, mas descobri que conheço um pouco do outro lado. descobri que tenho com o sushi uma relação de sexo casual e exagerado: quando fico muito tempo sem comer, quero loucamente; quando como, é até cansar; quando acabo, é aquela coisa: cadê o botão pra ele sumir? é o garçom! "quer mais sushi?" não quero não! pode levar esse daqui; leva ele pra casa, que eu vô pra minha dormir! fico parecendo um vadio da culinária oriental. se uma peça de sushi pudesse, me dava um tapa na cara e gritava, contanto pras outras, pra elas nunca mais me deixarem comê-las.
esse é só mais um dos tantos exageros que cometo, e que imagino serem comuns. alterno entre tempos em que não estudo nada, nada, pra depois, quando as provas chegam, ficar só lendo feito maluco - e é claro que a estória se repete: quando elas vão embora, é claro que falar em estudar é piada. imagina oferecer emprego pra um escravo recém-alforriado: "tu tá livre, mas tenho aqui um trabalhinho pra ti!" e o escravo: "haha! muito boa, seu zé!"
meu trabalho começa oficialmente no próximo vez, e, agora que tá tudo certo, tranco o mestrado pra ficar numa extrema maciota pelos últimos dias. depois, tô um tanto ferrado pra cacete.
durante a semana, tento levar uma vida semi-budista. no fim de semana, mudo de religião e fico semi-hedonista. durante a semana, bebo água. no fim de semana, bebo o óbvio. durante a semana, durmo pouco. no fim de semana, durmo por todos vocês.
às vezes penso se essa alternância não tá errada e se eu não deveria levar um caminho mais equilibrado, mais constante. até agora, não consegui. vai ver essa alternância exagerada significa vida, não sei. talvez não seja; só sei que uma constância total, é claro, com certeza significa morte - tanto pra um lado, quanto pro outro: se tu não faz nada o tempo todo, não vive; se tá sempre na porralouquice, acaba morrendo.
por outro lado, acho que quem vive estritamente o caminho do meio desde moleque deve ficar meio velho meio cedo. acho que dá pra eu deixar pra viver o caminho do meio quando eu já tiver mais pra lá do meio do caminho - tipo lá pelos 50. até lá, exagero pra um lado, pro outro, e na média fico no meio.
não tendo nenhum absurdo talento e só exagerando alternadamente, passo fácil dos 27, e com certeza chego lá. meu exagero alternado é moderado se comparado aos exageros constantes que a gente conhece; não tem pra que me preocupar.
então por mim mermo eu fico tranquilo. só é uma pena, mais uma vez, ver gente talentosa assim morrer; isso eu tenho que te falar.
Rodolpho Gringo
@ 11:39 PM |
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Sexta-feira, Maio 13, 2011
..:: Desejando o jiló
Eu já disse aqui uma vez que, depois que a pessoa morre, pra maioria das que sobreviveram ela fica muito melhor – e tudo de uma vez! sem nem ficar melhor ao ir envelhecendo, como se fosse vinho. Mas uma outra coisa que eu não disse ainda é que ela fica melhor mermo é quando tá de longe. A gente é míope, eu acho. Eu sei que eu dizer isso agora não é novidade nem nada, mas eu só escrevi umas duas novidades na vida, e manterei a tradição de não fazê-lo. E o leitor com certeza não precisa de mim pra falar isso, porque já deve ter notado. Mas, se não notou, eu ajudo. É só a gente fazer uma procura rápida, que descobre: no Orkut tem uma comunidade, cheia de gente pra cacete!, que se chama “Quem é legal mora longe”, ou algo assim. Viu? Ela só deveria se chamar “Quem mora longe é legal”, pra ficar mais adequado.
A ajuda continua: eu acho que uma certa distância entre o admirador e o admirado é quase uma condição necessária para que essa admiração exista. Quase. Não tô falando só de distância geográfica, apesar d'ela poder ajudar. Eu tô falando de uma distância no conhecer, uma ignorância do admirador com relação à verdadeira coisa admirada. Não é à toa, eu acho, que os grandes ídolos estão todos na mídia, na internet ou na tevê – pode perceber. Quer distância maior que essa – a distância sofá-televisão ou cadeira-pecê? Quem tá lá é inalcançável e, justamente por isso, perfeito. Se a pessoa passa a conhecer detalhes demais da vida do ídolo, pela minha hipótese, ele vai deixando de ser perfeito, e deixando de ser ídolo. Pra ser perfeito, tem que 'tar de longe, que é pra não dar pra enxergar os defeitos – e pensando assim a morte é só um caso particular de distância, maior ainda que a distância sofá-televisão! E todos os santos agradecem. Já pensou beatificar alguém vivo? Vai que o cara erra, faz besteira? Já pensou? “Que nada, cara... ele é alcoólatra e bate na mulher sim... mas, pô, ele fez aquele milagre lá!” Pensou, né? É melhor esperar morrer...
Se a gente conhece bem uma coisa, é fácil enxergar o que tem de errado com ela. Se a gente vê aquilo muitas vezes, a ponto de conhecer bem, uma hora a gente enjoa e enxerga o que não enxergava antes. Se até lasanha da Sadia enjoa se comida todo dia, qual a chance de tu achar uma pessoa perfeita pro resto da tua vida? A não ser que ela seja feita de arroz com feijão, tu provavelmente vai enjoar e deixar de admirar – e, em alguns casos, de comer!
Dado que tu tá enjoado, e enjoado de uma dada coisa, qualquer outra coisa fica melhor que aquela. Se só tiver lasanha pra comer, e tu tá enjoado de lasanha, o jiló parece incrível. O celular da outra pessoa é muito mais bonito. A namorada do outro é muito mais bacana. E assim parece que nada tá certo.
Não é certo, no entanto, que tu vá realmente enjoar. Eu disse “provavelmente”, e antes disso disse que a distância era uma condição quase necessária. É possível que a gente não enjoe, claro. No caso da lasanha, se a gente comer outras coisas, intercalando, leva a vida inteira sem enjoar dela. No caso de pessoas, repetir a sugestão acima substituindo “lasanha” por “pessoas” pode funcionar bem pra algumas pessoas. Mas também acho possível manter a admiração por alguém sem intercalar ninguém com coisa alguma.
Os meus pais são quem eu conheço de mais de perto, há mais tempo, sei todos os defeitos, não os intercalo com outros pais ou outras lasanhas, eles não são feitos de arroz nem feijão, e não deixo de admirá-los. Acho que a admiração mais verdadeira vem quando a gente vê as boas qualidades e as más, mas é capaz de perdoar as últimas, se as primeiras forem maiores. É lembrar do bom pra não enjoar. A diferença com os pais é que essa admiração já é meio intrínseca, na maioria dos casos. No caso de amigos, a gente escolhe aqueles dignos de admiração e de serem perdoados pelos defeitos - é uma família escolhida, como dizem. Já com marido e mulher, quase que por definição, é também um membro a mais escolhido para a família; é mais uma pessoa que, pelo lado bom, você julga digna de ser perdoada pelos defeitos de todo dia, e continua admirando até um certo dia.
Fazer isso, no entanto, é difícil pra cacete. Não é à toa que se tem tão poucos amigos de verdade e que muitos relacionamentos não dão certo. Continuar admirando alguém, vendo de perto todos os defeitos constantemente, e não enjoar é o mermo que perdoar todas e muitas vezes durante a vida - e, em alguns casamentos, até a própria vida acabar. Muito difícil. Por isso a gente, quando faz, faz com poucas pessoas. No entanto, parece que é uma necessidade nossa admirar algo ou alguém – imagina se tu achasse todo o mundo chato, burro, feio... então tem que arrumar um jeito mais fácil! Resolvido: com todas as outras que a gente ainda admira e acha interessante, ou a gente vê de longe e pode admirar pois não vê os defeitos, ou perdoa todos os defeitos uma única vez na vida - adivinha quando? exatamente quando a pessoa morre, pra depois então poder admirá-la. Muito mais fácil assim. Agora sim! tá tudo explicado pra mim.
Rodolpho Gringo
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É bom voltar aqui, hein.
P.S. - Quando eu disse "Quem mora longe é legal", fiz uma generalização escrota só pra passar a idéia - assim como feito em "Quem é legal mora longe". Logo depois eu disse que a distância - não a geográfica! - seria uma condição quase necessária, e não suficiente. Não é que você, ao desconhecer alguém em detalhes, vá adorá-lo; mas no geral, quando se adora, é porque desconhece alguns pontos. Em alguns casos, a gente conhece e adora, mas são os poucos que eu falei.
E ó aqui uma aplicação prática da minha teoria tosca e não-original: a pessoa vai a uma dessas balada e pode tentar conversar com alguém, pra ver se rola interesse. As estatísticas, no entanto, são de que, conversando por mais de meia hora, essa pessoa teria várias decepções! Daí ela, pra diminuir as chances disso acontecer, se mantém à distância, no desconhecimento - não conversa tanto -, e assim pode se interessar à distância, só pela beleza, muito mais facilmente. Assim, todo o mundo fica 'feliz', e nêgo pega de monte gente que, se conhecesse, não pegaria. Teria outro jeito? Teria, ué. Mas né todo o mundo que se contenta em sair e só ficar dançando feito um louco ensandecido!
@ 7:44 PM |
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Terça-feira, Outubro 05, 2010
..:: Mais um (con)texto
Essa semana vai ter de novo jogo da seleção, o segundo com novo técnico Mano Menezes e tal. Vô aproveitar pra falar agora o que eu ia falar da ooutra vez, a primeira que a seleção jogou - mas não tem naada a ver com futebol. Naquela vez, nos dias em torno do jogo, o Mano fez um comentário sobre comprometimento que deixou todo o mundo viajando na tevê. Ele falou que "o porco dá parte de si pro omelete, e a galinha só dá o ovo". Daí ficou todo o mundo viajando sobre o que aquilo queria dizer, achando graça e tudo o mais. Fizeram entrevista com o povo na rua, e a maioria, ao ser perguntada sobre qual dos dois participantes do omelete era mais importante ou algo assim, respondia que era o porco - afinal o porco dava parte do corpo! Beleza então. Só que que esse pessoal da tevê e esses comentaristas esqueceram de comentar que o Mano Menezes disse isso numa entrevista em que ele comentava sobre a importância do tal comprometimento - aquela palavra que o Dunga usava tanto pra justificar suas asneiras. Ele dizia que, na visão dele, comprometimento não era algo tão diferente do que as pessoas fazem no seu dia-a-dia. Dizia que "Comprometimento é fazer bem a sua parte.", e então contou o tal papo sobre o omelete com bacon. Depois disso, eu não sei mais o que ele disse - todos os vídeos terminam por aí -, mas me parece claro que ele fosse continuar a conversa dizendo algo como "apesar de a galinha ter dado só o ovo, e o porco ter dado o corpo, cada um fez bem sua parte; isso é que é importante". A não ser que alguém goste de omelete com ovo de porco e coxa de galinha, me parece fazer sentido! Eu não sei se ele chegou a dizer isso mermo, ou se era essa a intenção. E nem tô aqui pra ficar falando o quão ruins e fãs do óbvio e da moda e de tudo o mais de ruim eu considero os comentaristas esportivos no geral. Mas o fato é que ao comentar isso na tevê esqueceram completamente do que ele disse antes, e esqueceram que fora de contexto nada faz sentido ou tem significado - na verdade pode até ter, mas completamente alterado.
Pra mim o contexto é uma das coisas mais importantes na hora de interpretar alguma coisa. A interconexão das coisas é o que me faz melhor entendê-las, e pra mim é o que dá sentido a elas. Se tu vai a algum país qualquer fictício a que tu nunca foi nem conhece e, ao te vender uma caneta, uma pessoa diz que custa exatamente treze tcheroleros, tu não vai ter a mínima remota ideia de se aquilo é caro ou não. Mas daí se, junto com isso, te dizem que um carro custa catorze tcheroleros, então tu vai concluir que a caneta era muito cara - ou então vai comprar um bocado de carros! O importante é que a essa altura tu vai ter entendido melhor qual é o significado daquilo, e é sempre assim que as coisas acontecem. O aprendizado de muitas coisas se dá exatamente dessa forma. Aprender vocabulário até é meio assim: ninguém lê no dicionário o significado de uma bola; tu tá ali pequenininho e, de repente, tua mãe te dá o negócio mais divertido da Via-Láctea, e quando tá perto dele fala "bola" daqui, "bola" de lá, "bola", "bola"… aprendeu.
Hoje eu gosto muito de História, e o papel dela, pra mim, é esse também: pôr as coisas em contexto. Antes eu aprendia as paradas no colégio e era um tal de decorar data que enchia o saco. Daí a escola se modernizou, acabou com aquilo, e eu comecei a aprender um monte de coisa, lembrar de nomes, coisas que tinham acontecido, mas sem nunca estabelecer direito relações entre o que veio antes, o que veio depois e coisa e tal. Foi assim que eu percebi que eles não tinham se modernizado tanto assim. Então eu voltei a lembrar as datas, comecei a fazer conexões, e fiquei feliz pra sempre - tu devia tentar: funciona! pelo menos pra mim.
É só com a História do Brasil, por exemplo, que eu acho que a gente pode vir a entender esse país direito. Com ela dá pra saber de onde a gente veio, por que caminho passou até chegar aqui e tudo o mais, tudo em contexto. Com o o pouco que eu sei dela já ajuda a não esquecer o que o Lula falou antes de vê-lo falar sobre futebol, omelete ou qualquer coisa. Já ajuda a lembrar que o Brasil já teve um monte de ministro antes considerado importante e famoso, mas não houve nenhum que me dissessem ser da Casa Civil e diretamente responsável por algo grandioso. Já ajuda a lembrar o que os últimos ministros da Casa Civil fizeram, e o que a Dilma foi antes de chegar lá. Já não dá pra vir querer me enganar.
É só com contexto que eu consigo entender melhor as coisas; não tem jeito. E é também só com contexto que eu consigo entender a mim mermo, o meu próprio significado. Eu olho os números do país e vejo que somos aí por volta dos 190 milhões de pessoas, e que 1, comparado a 190.000.0000, é pouco se colocado assim em contexto. Mas vejo que, em 2008, mais da metade dos eleitores não havia concluído o ensino fundamental. Vejo no meu país que, da parte da população acima de 25 anos, aqueles com ensino superior completo são em torno dos 10%, um baixo percentual, e mesmo assim tô com 23 e prestes a me formar e tal. Só assim entendo direito o meu papel nessa coisa toda de direitos e deveres, omeletes e comprometimentos. Vejo que faço parte da parcela mais privilegiada da população e que, se não fizermos nossa parte direito, quem a fará? Vejo que eu fui um dos que mais comeu do bolo todo, e que pra esse omelete sair bem feito é uma parte bastante grande aquela que eu devo dar. Não tem jeito. E eu tô cansando de promessas e juramentos, mas juro que vô tentar.
Rodolpho Gringo.
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Dia desses 'tava conversando com um amigo meu e ele disse que tinha ouvido alguém dizer que, hoje, o brasileiro nasce, cresce, faz concurso, se reproduz e morre. Sensacional. Chega a ser engraçado, e seria só cômico, se não fosse triste. Eu acho triste essa coisa toda de tanto concurso público, e não vô entrar na questão da eficiência dos funcionários públicos - eu bem sei que há alguns excelentes. O que eu acho triste é um país, que almeja ser desenvolvido, ter jovens e adultos cuja única expectativa de ganhar realmente bem seja através de concurso público. Quem quer que seja o novo presidente, eu não quero um concurso público de presente. Eu queria um país desenvolvido suficientemente, para que eu e outros que estudaram 5 anos tivéssemos alguma boa perspectiva fora dessa indústria pública. Já 'taria quase mais ou menos.
@ 11:01 PM |
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Quarta-feira, Junho 23, 2010
..:: Ubuntu
Uma amiga minha dia desses me contou a incrível história d'uma garota que gostava de tênis. Tê! Nis. E, nããão, amigos telespectadores, não é ténis de Wimbledon, desses que se joga com raquete. É um tênis, só um tênis, desses de botar no pé.
Ela sentia muita atracão por um tipo especial de tênis. E caso um cara viesse falar com ela usando outro tipo, ela mal dava atenção. Que coisa, não!? Eu achei isso um tanto quanto muito escroto pra cacete, assim de início, mas depois fui pensando e vi que era só um pouco. Fui pensando e vi que também me chama a atenção, claro, a roupa que uma mulher veste - mas também vi que sô incrivelmente mais tolerante, já que minha preferência é cérebro, rosto, bunda, peito, cérebro, barriga, bunda, pernas, bunda, cérebro, costas, cérebro, bunda, pééé… e daí sim! saia, calça, sandália, e eu juro que uma hora eu ia chegar no ténis. Eu ia chegar no tênis!
Supondo então que eu tenha chegado no tênis, não posso recriminá-la! Não tô nem sendo sarcástico, não. Só um pouco, talvez, não sei, quem sabe, mas o ponto é que ela pode 'tar certa. Ou, mais na verdade ainda, ponto mermo é que não tem certo nessa incrível história da menina que gosta de tênis e do ridículo conto do cara que gosta de cérebro com bunda. Não tem.
Eu fui mudando tanto na vida, já fiz tanta coisa diferente e já achei tanta coisa diferente, que hoje pra mim fica bem difícil achar algum comportamento errado intrinsecamente - bem, a não ser que aquilo faça mal a alguém. É claro que tenho minhas preferências - cér… bunda … tênis -, mas hoje me parece que, se eu recrimino muito a alguém, é quase como se 'tivesse recriminando a mim próprio em outra época.
É claro que tenho minhas preferências, mas elas próprias são até meio injustas. Se eu gosto de alguém com tais coisas na cabeça, e alguém que fala numseiquantas e tais línguas e que gosta de tais bandas, se veste com tais roupas e tem tal/nenhuma religião me parece interessante, tudo bem, claro; mas não tá claro também que essa pessoa provavelmente teve uma educação parecidíssima com a minha? Se eu só gosto disso e recrimino ou até ridicularizo o resto, quem não nasceu no meu meio, quem tem mais ou menos dinheiro que eu ou quem tem uma cultura de outro país 'tá fadado ao meu desprezo. Cada vez menos quero isso.
Essa copa, na África do Sul tão misturada, e cheia de gente de todos os cantos, me fez também lembrar dessas coisas. Lá eles ainda têm suas preferências -às vezes discriminatórias ainda-, e na maioria dos casos negro não casa com branco e, espante-se, branco não casa com negro. Mas o importante é que eles, ou pelo menos as leis deles, já não permitem a humilhação daquilo que é diferente.
Cada vez mais quero viajar, conhecer e ver o que é diferente, pra quem sabe, de repente, recriminar cada vez menos a menina do tênis. E, como os africanos, mermo errando muito ainda, cada vez mais me convenço de que "sou o que sou só por causa do que todos nós somos.". E que é só por causa disso, e que não tem outro ponto.
Rodolpho Gringo.
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""Ubuntu" is an idea present in African spirituality that says "I am because we are" - or we are all connected, we cannot be ourselves without community, health and faith are
always lived out among others, an individual’s well being is caught up in the well being of others."
http://en.wikipedia.org/wiki/I_Am_Because_We_Are
"Uma tentativa de definição mais longa foi feita pelo Arcebispo Desmond Tutu:
Uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível aos outros, não-preocupada em julgar os outros como bons ou maus, e tem consciência de que faz parte de algo maior e que é tão diminuída quanto seus semelhantes que são diminuídos ou humilhados, torturados ou oprimidos.[1]
(...)
Ubuntu é visto como um dos princípios fundamentais da nova república da África do Sul (no Zimbabue por exemplo, Ubuntu tem sido usado como forma de resistência à opressão existente no país) (...)"
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ubuntu_%28ideologia%29
@ 7:14 PM |
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Sexta-feira, Fevereiro 19, 2010
..:: Caminho mais curto
Eu sempre acreditei em lutar pelo que a gente acredita, mas de vez em quando eu tenho minhas recaídas. Hoje, por exemplo, eu tive uma delas. Eu sempre acreditei que pra ir ao meu trabalho tem um caminho mais curto e rápido, e por um tempo insisti em seguir por ele. Acontece que ali tem um puto de um quero-quero que acredita que ali é um caminho mais curto, mais rápido e melhor pra ele criar os filhotes dele ou qualquer coisa parecida. Eu insisti umas vezes, e toda vez o bicho ameaçava, gritava, fazia o diabo. Daí foi numa dessas que eu pensei bem e resolvi ser corajoso: tomei coragem pra enfrentar a fera da minha preguiça gigante e fui pelo outro lado – mais longo e mais seguro; ótimo! Toma teu caminho, quero-quero de merda!
Ultimamente tenho feito as contas e decidido não decidir muito ao meu jeito as coisas, caso aconteça algo assim pra atrapalhar. Esse negócio de saber o que quer e lutar por aquilo é bom, mas só às vezes, como todos os outros bons e todas as vezes que eu já falei deles. Tenho visto seriamente o lado bom de não poder escolher ou de deixar outra coisa escolher por mim. Não é nada tão louco, não, e eu até demonstro: se vô pegar um filme e fico na dúvida entre dois, fico doido pro carinha do balcão dizer que um deles foi perdido ou algo assim. Muito bom, muito bom; dá o outro então! Não podia ser tudo assim tão fácil? Num sei porque tudo que é coisa sempre teima em ter lados bons e ruins, bicho. Num escapa nem a porra do caminho cheio de mato lá do trabalho!
Agora eu tô deixando o acaso decidir, quando consigo. Ou então deixo que os outros decidam por mim mermo. Agora já quase não discuto as coisas; pelo menos não como antes, e não mermo. Se tu é daqueles que gosta de discutir, perdeu os bons tempos! Agora se eu encontrar uma tiazinha testemunha de Jeová por aí, querendo me converter, ela não consegue nem a pau. Não consegue, porque eu digo que sou o próprio Javé, se ela quiser - mas só se ela quiser! Se ela for ficar com raiva eu digo só que era amigo dele, e todo o mundo fica feliz.
Acho que eu não costumava ser assim pelo quê de falsidade ou omissão que me vinha à cabeça. Mas o negócio é que às vezes nem vale a pena, e é melhor seguir o caminho de menor esforço – em vez do mais curto! A Natureza parece fazer isso às vezes, e mermo assim ela é gente boa pra cacete – com exceção do quero-quero! Vô fazer também então, pelo menos às vezes. E depois de ter sido amigo de Jeová o resto vai ser moleza.
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Coldplay, me espera que eu tô chegando no Rio.
Rodolpho.
@ 9:18 AM |
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Quarta-feira, Janeiro 27, 2010
..:: Dirigindo com o alter-ego
Uma vez na casa da minha tia eu pensei, ao ver uma pasta-de-dentes em cima da geladeira: " Bicho, isso é lugar de pasta? ". Depois, o grande otário – eu, no caso – lembrou que ele mermo tinha deixado a tal da pasta por ali. Parece mentira - e eu tendo um nariz deste tamanho... bem, tu acredita se quiser. Uma outra vez, nessa merma casa dessa merma tia, eu vim correndo atender o telefone e quase bato com o nariz na porta do armário, que ' tava aberta. Mas foi só quase: sorte delas - da porta e da tia, que ia perder a porta. E agora tu vê: fui fazer um favor, já que ninguém atendia o telefone, e ainda quase me machuco. Um absurdo; não é foda? Só não fiquei com mais raiva porque tinha sido eu o culpado de novo. Idiota. Um idiota, mas me deixa aqui ser honesto com relação às minhas idiotices: coitada da minha tia!
Umas outras vezes, vendo o trânsito dos carros, eu tive a ligeira impressão de que as pessoas certamente reclamariam delas próprias, caso tivessem a fantástica oportunidade de dirigir atrás delas próprias. Imagina a cena. Me parece que ninguém dirige como acha que os outros deveriam dirigir; a gente só não percebe. E o que me parece, aliás, é que ninguém age como acha que os outros deveriam agir; a gente só não quer perceber.
Umas muitas vezes eu me levantei da minha cadeira, fui à frente da sala receber a nota de mim mermo e constatei: "Tá precisando melhorar, hein, seu Rodolpho. "
Daí eu deixei de ser idiota por uns instantes, saí da sala e tive a ligeira certeza de que seria mais brando com os outros com relação a essas exigências. Concluí que não há nada mais justo, afinal, pelo menos até que eu mermo atenda à maioria delas.
E quando eu conseguir atendê-las, não exigindo muito de ninguém, espero não exigir dos outros a merma atitude em troca, também. Quer contradição e idiotice maior que essa? Não dá, não, rapá; e eu aposto até que não tem.
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Uma das coisas que eu espero de mim diariamente é conseguir dormir cedo. Grande ilusão; por que é que não desisti ainda? Só sei que, por enquanto, me perdôo: foi agora, com medo de dormir, que tomei coragem pra escrever. Vale a pena, e acontece de vez em quando.
Rodolpho.
@ 3:48 AM |
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Sábado, Dezembro 05, 2009
..:: O emprego da propriedade intelectual
Já faz muito tempo que me questiono sobre a propriedade intelectual e seus lados bons e ruins. Sô defensor e usuário de muitas variantes de coisas livres e há algum tempo achava que isso era a solução pra muita coisa, até ideologicamente falando. Há um pouco menos de tempo, no entato, é que eu, como aluno de Engenharia da Computação e pesquisador na área, fui vendo os outros lados da moeda - a minha moeda tem vários lados; qual o problema?- , e assim minha opinião foi mudando.
Não dá pra questionar, por exemplo, os lados bons que o software livre e tudo o mais relacionado têm. Eu sô completamente a favor, inclusive, de que todo o sistema informatizado do governo brasileiro fosse desse tipo; grande parte dos códigos livres, hoje, já é bastante confiável e, acima de tudo, tem custo quase zero. Um governo que queira conter os gastos e respeitar o contribuinte, pra mim, não tem melhor escolha.
O software livre, também, tendo uma licença que permite a alteração e colaboração de gente de tudo que é lugar do mundo - como estabelece a licença GNU, por exemplo -, atende rapidamente a demanda por atualizações e correções. Às vezes, também devido à colaboração, softwares desse tipo são fornecidos em línguas que possibilitam pessoas de todas as origens usufruirem do resultado em sua língua nativa - coisa que muitos softwares pagos não são capazes de fazer. E o Ubuntu, talvez maior exemplo de software livre hoje, causou verdadeira mudança no uso de sistemas operacionais, com esse tipo de ideologia.
Além disso, se eu for falar não só de benefícios práticos, mas do lado mais filosófico da coisa, não posso esquecer que é no mínimo meio bizarro que se produza algum conhecimento usando só coisas livres e, depois, queira-se cobrar por ele. É bizarro e até egoísta. E um dos maiores inventores e caras mais inteligentes que já houve, Benjamin Franklin, uma vez disse mais ou menos assim: "Como usufruímos das vantagens vindas das invenções dos outros, deveríamos ser gratos pela oportunidade de servir a outros pelas nossas próprias invenções; e deveríamos fazê-lo de graça e com generosidade". Fica até difícil discordar, né não? E assim eu venho concordando, então.
Às vezes, no entanto, me parece que o que pregamos por aí sobre a liberdade do conhecimento gerado não é bem isso com que acabei de dizer que concordo. Muitas das vezes me parece que cobramos o direito de exigir que as pessoas produzam conhecimento por generosidade - o que é bem diferente. Muitas vezes só se pensa em um dos lados e o povo meio que quer justificar pirataria e coisas do tipo com o argumento de que a propriedade intelectual não existe. Queremos tudo de graça! Me dá impressão até que seja parecido com a galera que quer passagem de graça, comida de graça e qualquer dia, quem sabe, até mulher de graça, mas sempre esquecendo que alguém, no fim, paga. Pra mim, isso só é válido pra quem realmente precisa, porque alguém sempre paga, no fim. E às vezes paga caro.
Não vô mentir, não: eu por exemplo baixo música pra cacete, filme pra cacete e muitas outras coisas pra cacete. Vô falar a verdade: acho que isso tem um lado muito bom e tem popularizado mais a cultura, sim. Acho inclusive que isso tudo é um caminho sem volta e que outros meios venda de conteúdo já vão surgindo por aí. Agora, dizer que isso tudo justifica é outra estória. E quando esses outros meio surgirem? Vamo dar um jeito de dar uma volta neles de novo, tudo justificado, afinal propriedade intelectual não existe?
No final alguém sempre paga, e eu acho que é preciso pensar nisso. Com música e arte eu acho que o caso é um pouco diferente, já que isso sempre se fez por prazer e talvez vá sempre continuar sendo feito - mas isso não justifica. Agora, com outros tipos de produção intelectual, o negócio é mais complicado. Nesse caso eu tento, juro que tento, não usar nada pirata. Atualmente eu só peco com dois programas! Olha aí... Mas isso é meio preocupante e tal. Não que a pirataria vá chegar realmente a falir as empresas de software; o que eu tô falando é da idéia. Se é justificável que o software seja livre, de forma forçada(!),e ninguém paga, quem é que vai querer investir bilhões pra um software inovador, em troca de nada?
E com os remédios? O Brasil teve, com José Serra como ministro da saúde, o melhor programa contra a Aids do mundo, se não me engano. Nosso país quebrou as patentes aqui dentro e conseguiu beneficiar muita gente que andava precisando, sendo tudo isso ótimo pra nós mermos. Mas e se todo país resolve fazer isso? Quem é vai querer investir bilhões pra curar doenças que exijam alto nível de pesquisa, mais uma vez em troca de nada?
No fim, sempre tem alguém que paga pelo almoço, isso sim. E eu acabei sem concluir nada a respeito do negócio todo, se é isso que o leitor quer saber, e nem tenho uma afirmação sobre a qual te convencer. Mas concluo sobre um pedaço do todo, que diz respeito a mim: a propriedade intelectual acaba, de alguma forma, garantindo o investimento na criação. Não fosse isso, quem é que ia pagar, pra um moleque como eu pesquisar, e vir outro moleque como eu pra baixar de graça lá? Ninguém ia. Deixa assim por enquanto, então, já que assim eu tenho emprego, apesar de não ter a solução.
Rodolpho.
@ 9:11 PM |
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